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O rock profundo e sólido de Led Zeppelin II

  • Foto do escritor: Marcelo Gonzales
    Marcelo Gonzales
  • 24 de out. de 2025
  • 4 min de leitura

Há datas que não se apagam, e hoje, 22 de outubro, é uma dessas, é o dia em que Led Zeppelin II foi lançado no Reino Unido. Um álbum que não apenas consolidou a banda, mas

redefiniu o que significava ser uma banda de rock.


Gosto de imaginar o som daquele vinil saindo do toca-discos em 1969, o chiado inicial como

um aceno do tempo, e logo depois, o primeiro riff de Whole Lotta Love entrando como um trovão elétrico, rasgando o silêncio do fim dos anos 60. O mundo ali girava mais rápido.


O Led Zeppelin já era uma promessa desde o álbum de estreia, mas foi no segundo que o mito se consolidou. Com Jimmy Page na guitarra e produção, Robert Plant nos vocais, John Paul Jones no baixo e teclados, e John Bonham na bateria, o quarteto encontrou seu ponto de combustão.


Led Zeppelin II foi gravado em vários estúdios em Londres, Nova York, Los Angeles durante as turnês frenéticas do grupo. O som cru e potente foi resultado de uma técnica inovadora de gravação, amplificadores no máximo, microfones distantes e a energia viva do palco registrada em fita.


As faixas falam por si, Whole Lotta Love, Heartbreaker, Ramble On, Moby Dick com o solo lendário de Bonham em Bring It On Home. Um álbum sem descanso, como se o vinil tivesse pressa em mostrar tudo o que o rock ainda podia ser.


Quantos filhos ouviram esse disco porque um pai, uma mãe, ou até um tio apaixonado o guardava como relíquia?


No Brasil, nos anos 70, ter um vinil do Led Zeppelin era símbolo de resistência estética e curiosidade sonora. E, mesmo sem turnês por aqui pois o Led nunca se apresentou no Brasil, a devoção dos fãs cresceu com cada lançamento que chegava importado, com cheiro de loja nova e o som que parecia vir de outro planeta.


As lojas da Rua Augusta em São Paulo e da Galeria Alaska no Rio vendiam os discos a preços altos (como se hoje fosse barato...), mas isso não impedia o ritual, juntar o dinheiro, abrir o encarte e deixar a agulha cair como quem inicia uma missa sonora.


Décadas depois, esses mesmos discos voltariam às mãos dos filhos e agora dos netos, num ciclo bonito de herança musical. O vinil chiando é também o som da memória sendo herdada.

Com o passar dos anos, o Led Zeppelin II continuou renascendo. Nos 20 anos de lançamento, em 1989, revistas musicais revisitavam o álbum como um manual do hard rock.

Nos 30 anos, em 1999, ele foi remasterizado em CD e reeditado com faixas bônus fazendo uma ponte entre o analógico e o digital. E, em 2014, nos 45 anos do lançamento, Jimmy Page supervisionou uma edição comemorativa que trouxe versões alternativas e gravações inéditas, como abrir um baú e encontrar o rascunho do mito.


Hoje, em 2025, o disco segue vendendo em edições de vinil de luxo, reeditadas pela Atlantic Records e disputadas entre colecionadores, no Brasil inclusive alcançando cifras que fariam o próprio Page sorrir. As certificações falam por si, multi-platina nos Estados Unidos, disco de ouro e diamante em vários países, presença constante nas listas dos 100 Maiores Álbuns da História da Rolling Stone e da NME.


Mesmo sem pisar em solo brasileiro, o Led Zeppelin foi e ainda é um fenômeno por aqui. O público construiu um vínculo emocional curioso com a banda, o Zeppelin chegou primeiro pelos ouvidos, depois pelo sonho. Programas de rádio dos anos 70 e 80, como o Rock Special, e mais tarde emissoras como a Fluminense FM e a Rádio Cidade, tornaram Whole Lotta Love e Stairway to Heaven trilhas de uma geração.


Cada novo relançamento reacende a conversa entre fãs. E há algo bonito nisso, o disco como uma carta que viaja pelo tempo, esperando novas mãos para ser aberta.


O Led Zeppelin não foi apenas uma banda. Foi uma ideia de som. E o II é o seu manifesto. Aquele tipo de obra que não envelhece, apenas amadurece, como um vinho deixado ao sol, guardando o perfume da época em que o rock era urgência e poesia.


Hoje, enquanto escrevo, ouço o disco girar no prato. O chiado do vinil se mistura ao vento da manhã, e eu penso, talvez o maior legado do Zeppelin seja esse, o de fazer com que cada geração sinta o mesmo arrepio ao apertar play.


Data de lançamento: 22 de outubro de 1969.


Gravações em Londres, Nova York, Los Angeles e Vancouver.


Vendas mundiais estimadas em mais de 12 milhões de cópias.


Certificações: EUA 12x platina (RIAA), Reino Unido disco de ouro (BPI) e Canadá 3x platina.


Reedições notáveis em 1989 com CD remasterizado, 1999 com a edição de 30 anos, 2014 com a edição deluxe supervisionada por Jimmy Page.


A faixa mais executada foi Whole Lotta Love, considerada pela BBC como uma das 10 músicas mais influentes do século XX.


Nenhum show no Brasil. Mas o Led Zeppelin influenciou profundamente bandas brasileiras de rock dos anos 70 e 80, como Made in Brazil, Casa das Máquinas e O Terço.

Enquanto o vinil termina de girar, fica no ar uma pergunta que talvez só a música responda: Depois de um álbum que mudou o rumo do rock, quais outros discos nasceram com essa vocação de eternidade? Deixo para outra pauta...


Amanhã, a gente continua, com mais um “Que Dia é Hoje?” para provar que o tempo, quando é bom, toca em 33 rotações.

 
 
 

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