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Marina Lima e seus 70 anos

  • Foto do escritor: Marcelo Gonzales
    Marcelo Gonzales
  • 17 de set. de 2025
  • 2 min de leitura
Marina, que pode ser explosiva ou sussurrante, mas nunca perde sua autenticidade.
Marina, que pode ser explosiva ou sussurrante, mas nunca perde sua autenticidade.

Hoje, ao celebrar os 70 anos de Marina Lima, me pego pensando na força e na delicadeza dessa voz que atravessa gerações. Marina não é apenas uma cantora; é uma intérprete da vida, alguém que nos faz sentir cada acorde como se fosse parte da nossa própria história. Lembro-me da primeira vez que ouvi Fullgás e pensei: “é isso, quero viver assim, com intensidade, sem medo”. E então vem o refrão, aquele “fullgás”, que não é só uma palavra, é um convite à liberdade, à coragem de se lançar, mesmo sem saber todos os passos. Em Me Chama, sinto o desejo pulsando, a urgência de amar, e percebo que Marina sabe transformar sentimentos universais em poesia que cabe na alma de cada um de nós.

Quando mergulho em álbuns como Todas (1985), noto a ousadia nos arranjos, o uso dos sintetizadores, a maneira como cada acorde parece contar uma história própria. É pop, é MPB, é rock, e ainda assim, é Marina. E nos anos 90, em Marina Lima (1991) ou O Chamado (1993), ela experimenta sons mais densos, camadas de guitarra, baixo e bateria que parecem dialogar com a voz e com cada emoção que as letras evocam. Em “Não Sei Dançar”, por exemplo, não há apenas passos de dança; há a vulnerabilidade de se lançar na vida, de enfrentar o desconhecido, e a gente se reconhece nesse medo e nessa coragem.

O Acústico MTV (2003) é uma aula de intimidade musical. Ouço as cordas, o violão, o piano, e percebo que cada nota foi cuidadosamente pensada para realçar a voz de Marina, que pode ser explosiva ou sussurrante, mas nunca perde sua autenticidade. Cada músico que passa por seus discos contribui, mas é Marina quem conduz, e é ela que nos faz sentir. Em “Veneno” ou em “Mesmo Que Seja Eu”, sentimos a entrega, a intensidade, aquela vontade de viver plenamente que só uma artista que conhece a vida tão profundamente consegue transmitir.

O que mais me impressiona é como suas músicas atravessam gerações e momentos da vida de cada um. Em “Criança”, voltamos à inocência e à liberdade. Cada álbum, cada faixa, cada detalhe de produção, dos sintetizadores de Todas ao baixo pulsante de Desta Vida, Desta Arte, até a suavidade acústica do Acústico MTV, é pensado para criar essa ponte entre Marina e nós, ouvintes, como se cada canção fosse um diálogo íntimo.

Hoje, ao celebrar 70 anos de Marina Lima, convido você a fazer o mesmo que eu: pegar fones de ouvido, abrir os discos, e se permitir sentir. Ouça cada letra, cada melodia, cada arranjo. Deixe Marina conduzir você, como fez comigo tantas vezes, mostrando que a música não é só som, é memória, é emoção, é vida. Aperte o play, sinta cada palavra e cada acorde, e descubra, como eu, que ouvir Marina é encontrar a coragem de viver em “fullgás”, de amar intensamente e de dançar, mesmo sem saber todos os passos.

 
 
 

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