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Alceu Valença e uma “Senhora Estrada”

  • Foto do escritor: Marcelo Gonzales
    Marcelo Gonzales
  • 25 de dez. de 2021
  • 2 min de leitura

(Matéria Publicada no Jornal Diário da Manhã - Pelotas/RS em 24, 25, 26 e 27 de dezembro de 2021 - Pág. 15)

Lançado no último dia 19 em todas as plataformas digitais “Senhora Estrada” é o terceiro álbum de Alceu Valença em voz e violão pela gravadora Deck.

Depois de “Sem Pensar no Amanhã” e “Saudade”, ambos lançados em 2021, esse álbum traz as referências primeiras do artista, pavimentadas no agreste e no sertão nordestino. As onze faixas transitam entre o xote e o baião, a toada e o rojão, gêneros cultivados no solo mais fértil do Brasil profundo.

O poeta andarilho dá a partida na trilha ancestral aberta por Luiz Gonzaga, em personalíssimas versões de “Pau-de-Arara” e “Sala de Reboco”. O que Alceu Valença faz com seu violão nessas duas canções é indescritível, tempera o legado do rei do baião com a saliva doce de suas melhores criações. Se parássemos aí o álbum estaria pago nas gírias de hoje...

Iniciada a caminhada, todas canções a partir daí têm a marca autoral de Alceu. O baião e o xote adquirem suavidade sem perder a sedução em “Pé de Rosa” e “Xote Delicado”. O álbum ativa releituras íntimas de “Depois do Amor” e “Flor de Tangerina” - uma das mais pedidas pela nova geração de fãs. “Vai Chover”, pluviosa parceria com Herbert Azzul, é um forró no gênero caminho da roça, cujos atalhos o artista percorre como ninguém.

Em sequência, três versões para constar em qualquer antologia da moderna MPB: “Coração Bobo”, o baião feito em homenagem a Jackson do Pandeiro, aqui recriado exatamente como veio ao mundo, numa tarde parisiense do final da década de 70. Se “Pelas Ruas Que Andei” celebra o mapa poético e geográfico do Recife, os pés caminhantes de “Cabelo no Pente” pisam ruas do passado para reinventar seu próprio tempo. O álbum termina onde a identidade principia: “Senhora Estrada” é uma toada originalmente feita para a trilha do filme “A Luneta do Tempo” (2015), escrito e dirigido por Alceu, e que permaneceu inédita até aqui. Como o tempo que corre em disparada, a estrada é senhora do poeta, seja qual for o seu destino.

“Senhora Estrada” foi gravado no Estúdio Tambor, no Rio de Janeiro, em março de 2021, com produção de Alceu Valença e Rafael Ramos.

 
 
 

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